Cantor Luiz Melodia morre no Rio de Janeiro, aos 66 anos


Cantor faleceu na madrugada desta sexta em decorrência de complicações de um câncer que atacou a medula óssea.

.
RIO — Luiz Melodia faleceu na madrugada desta sexta-feira, no Rio, por volta das cinco horas da manhã, em decorrência de complicações de um câncer que atacou a medula óssea. No começo de junho, ele havia recebido alta do hospital Quinta D’Or após 3 meses internado. Animado, o cantor planejava voltar aos palcos e estúdios até o fim do ano, mas o câncer voltou e seu estado de saúde se agravou bastante nesta quinta-feira. O corpo do artista será velado na quadra da escola de samba Estácio de Sá na tarde deste sábado. O enterro está marcado para o sábado, às 10h, no cemitério do Catumbi.
Filho do funcionário público Oswaldo Melodia e da costureira Eurídice, Luiz Carlos dos Santos foi criado em local de história nobre e IDH cronicamente pobre: o morro de São Carlos, no Estácio, bairro conhecido como berço do samba – onde Ismael Silva fundou a Deixa Falar, pioneira das agremiações carnavalescas cariocas.
Acostumado desde os 8 anos a ser arrastado pelo pai, músico amador, para as rodas boêmias da região, ele cresceu sem se prender exclusivamente à tradição local de samba, seresta e choro. A partir dos gostos paterno e materno, aprendeu a curtir boleros de Anísio Silva, o samba dor-de-cotovelo de Lupicínio Rodrigues e a música nordestina de Gonzagão e Jackson do Pandeiro.
Mas a janela para o mundo se abriu mesmo com programas como “Hoje é dia de rock”, que Jair de Taumaturgo comandava na Rádio Mayrink Veiga desde o fim dos anos 50. Aos poucos, o menino que sonhava em ser ponta-direita do Vasco foi tragado pelo iê-iê-iê da vizinhança (a rua Haddock Lobo, reduto da Jovem Guarda, começa no Largo do Estácio) e montou conjuntos semiprofissionais para embalar bailinhos nas comunidades da área. Houve Os Instantâneos e Os Filhos do Sol, que tocavam tudo que fosse necessário para animar uma festa, com inglês de puro embromation.
‘PÉROLA NEGRA’
Melodia também frequentou programas de calouros, com relativo sucesso: na rádio Mauá, ficou em primeiro lugar em um concurso com sua interpretação de “Rosita” (de Francisco Lara e Jovenil Santos), faixa do LP “Roberto Carlos Canta Para a Juventude”, de 1965.
Suas primeiras composições eram ingênuas. Aos poucos, porém, o fã do romantismo bubblegum de cantores como Chris Montez foi incorporando influências mais modernas: do Nat King Cole que ouvia na vitrola do tio passou para o blues de Taj Mahal e, principalmente, o tropicalismo.
Ainda um jovem e desconhecido compositor do Morro do Estácio, Luiz foi descoberto pelos poetas Torquato Neto e Wally Salomão. Foi Wally que sugeriu que Gal Costa gravasse a canção ‘Pérola negra’ em seu álbum ‘Gal a todo vapor’, de 1972. Nessa época assume o sobrenome artístico Melodia, também usado por seu pai, Oswaldo.

As principais canções de Luiz Melodia
‘Pérola negra’
Ainda um jovem e desconhecido compositor do Morro do Estácio, Luiz foi descoberto pelos poetas Torquato Neto e Wally Salomão. Foi Wally que sugeriu que Gal Costa gravasse a canção ‘Pérola negra’ em seu álbum ‘Gal a todo vapor’, de 1972. Nessa época assume o sobrenome artístico Melodia, também usado por seu pai, Oswaldo.
Quando conheceu três irmãs que tinham recém se mudado para o São Carlos, veio a ponte com um dos elementos centrais dessa turma, o poeta, compositor e agitador cultural Waly Salomão – que, por sua vez, fazia incursões ao local arrastado pela curiosidade e inquietude de Hélio Oiticica.
Ele e o jornalista e letrista Torquato Neto o levaram para a órbita da poética moderna de Caetano e Gil, a liberdade inventiva de Jards Macalé… e a casa de Gal Costa, então musa do desbunde. Foi lá que, sob os olhares desconfiados da mãe da cantora, Melodia encantou a todos com uma composição. A música já tinha, então, o dedo de Waly, que havia sugerido a troca do tratamento “my black, meu nego” por “Pérola Negra”, que era o apelido de um travesti da área chamado Adílson.
A verdadeira inspiração, porém, tinha sido uma moça que, depois do relacionamento com Melodia, namorou Waly: a primeira branca dasa conquistas amorosas do garoto que estudou somente até a sexta série ginasial (atual ensino fundamental).
DO SÃO CARLOS PARA IPANEMA
Melodia desceu o morro para andanças na Ipanema hippie com intelectuais, adotado pela turma da zona sul e pelos baianos, sob o guarda-chuva do empresário Guilherme Araujo. Em janeiro de 1972, trazia um toque de estranhamento à ortodoxia do show “A Fina Flor do Samba”, que também tinha entre suas atrações Candeia.
Só meses depois, em abril, no Teatro Opinião, é que lhe foi permitido desfraldar a própria bandeira, em espetáculo batizado “Estácio Blues”. No fim do ano, Maria Bethania gravou sua “Estácio holly Estácio”, e chamou a atenção do Brasil para aquele jovem compositor, talvez o primeiro grande talento a sair do morro já conectado com a onda globalizante do iê-iê-iê e com os processos tropicalistas.
Luiz Melodia tinha só 22 anos, quando lançou, em 1973, seu álbum de estreia, “Pérola negra”, com produção e arranjos do baiano Perinho Albuquerque, que assina como diretor musical. Reputado como um dos melhores discos da MPB de todos os tempos, o trabalho atirava certeiramente em várias direções, do “Forró de janeiro” aos hibridismos com jazz e blues que deram identidade a Melodia ao longo da carreira, brilhante em composições como “Magrelinha”, “Objeto H”, “Abundantemente morte”, “Estácio holly Estácio”, além da faixa-título. A ficha técnica reunia desde o regional do violonista Canhoto e o flautista Altamiro Carrilho, no samba-choro “Estácio, eu e você”, até a guitarra soul/rock de Hyldon, sob arranjo de Artur Verocai, em “Prá aquietar”.
Os artistas que reinterpretaram Luiz Melodia
Maria Bethânia canta ‘Estácio, holly Estácio’
Bethânia gravou a canção “Estácio, holly Estácio”, de Luiz Melodia, em seu disco “Anjo Exterminado”, de 1972.
Consolidado a partir de ótimos discos como “Maravilhas contemporâneas” (1976), que trazia outros dois clássicos de sua autoria, “Juventude transviada” e “Congênito”, e “Mico de circo” (1978), que emplacou sua gravação consagrada de “A voz do morro”, de Zé Keti. Nos anos 1980, com discografia menos inspirada, seguiu compondo pérolas como “Só” e se firmou-se como intérprete, a partir de sua gravação de “Negro gato” (Getúlio Côrtes).
Melodia atravessou a década seguinte com shows de sucesso, inclusive na Europa, espraiando-se musicalmente por samba-funk, reggae e samba nos moldes ortodoxos. Tudo sem deixar de brilhar como canário, em regravações populares como “Codinome beija-flor” (de Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias) e “Broto do jacaré” (Roberto e Erasmo).
Entre projetos de releituras, acústicos e DVDs ao vivo, viveu ótimos momentos no século 21. Mas ficou 13 anos sem lançar projetos autorais, jejum interrompido em 2014, com seu último disco, “Zérima”. O disco rendeu elogios da crítica e lhe valeu o reconhecimento como melhor intérprete no Prêmio da Música Brasileira, em 2015.
Deixa a viúva Jane Reis, sua empresária e cantora, e os filhos Mahal e Hiran.

Com Luan Santana, “Altas Horas” com Serginho Groisman bate recorde em SP e Rio

Na capital paulista, o programa de Serginho Groisman registrou 16 pontos de média e 31% de participação, algo que não era atingido desde novembro de 2011, há mais de cinco anos e quatro meses. Já no Rio, a atração de auditório foi ainda melhor: 19 pontos com 37% de share, sua maior audiência desde 2010, há sete anos.

Começando agora, Pabllo Vittar fala mal de Claudia Leitte e fãs da loira esculacham a Drag. 

Depois da polêmica com o Léo Santana, agora os fãs da Claudia Leitte estão com bastante raiva de Pabllo Vittar, a drag do programa ‘Amor e Sexo’. 

 Os fãs de Claudinha encontraram Tweets antigos, onde Pabllo diz não gostar da cantora, o que foi suficiente, para vários ”bolhas” – fã base da loira – entrarem no Twitter e criticarem Pabllo Vittar.

Esses novos artistas são mal assessorados, e não apagam postagens antigas da época em que eram desconhecidos, muitos perderam contratos e até suas carreiras foram dizimadas, como o MC Biel que foram achados postagens racistas e misoginas em sua página. 

Um conselho da sua amiga Valeska Popuzuda: “recalque de anônimos é inveja de divas”. Segura sua moral, porque Claudia Leitte tem mais de 80 sucessos, 150 feat’s, um dos três melhores trios do carnaval, 20 anos de carreira, mais 20 milhões de cópias vendidas, e está sendo agenciada pelo Jay-Z. O mundo da voltas, Tomé cuidado com que fala.

Gustavo Vidal – Coluna Alternativa